#Eueacomida: o zigue-zague do salgadinho de pizza

Olá meninas, tudo bem com vocês? Hoje vou começar uma série de posts que farei contando pra vocês a minha história/ o meu envolvimento com a comida. Como assim? De tempo em tempo farei uma postagem contando sobre uma ocasião da minha vida em que eu lembre que tenha tido relação direta com a comida, como aquele dia me marcou e o porquê de ter me marcado. 
Quem de nós não tem algo assim para contar? A comida presente em comemorações? Quem nunca escutou "coma até o último grão de arroz"? Quem nunca disse "hoje eu mereço esse chocolate"? Enfim, vários são os momentos em que a situação, praticamente, gira em torno da comida e nem nos damos conta disso. Pensei bastante se devia ou não escrever sobre isso, mas acredito que através das minhas experiências, outras pessoas possam se identificar e entender os processos e etapas de sua própria vida. Adoraria sugestões e comentários de vocês sobre como ir direcionando essas postagens, o que escrever, o que está faltando ou se gostaram ou não do tipo da postagem. Posso contar com vocês?


Pra começar a falar sobre isso tentei pensar na situação mais antiga que havia sido marcante para mim em que a comida estivesse envolvida. Parando para refletir sobre isso, percebi que em muitos momentos a comida me serviu como um estímulo ou um conforto, outras vezes ela apareceu como uma compensação... Talvez meu prazer por comer venha daí, algo que desde muito pequena foram me ensinando. 
Nasci na cidade de São Paulo e morei na grande São Paulo até os 4 anos de idade. Pequenininha, estudei numa escola de educação infantil chamado Colégio Barros Costa, que eu nem sei se existe até hoje. De maneira impressionante, tenho muuuuuitas recordações de quando eu era muito, muito pequena. Conto coisas pra minha mãe, que ela me fala que aconteceram quando eu tinha aproximadamente 2 aninhos. Não lembro ao certo quando aconteceu o que contarei hoje, mas sei que foi mais ou menos por aí, um pedacinho de gente. 
Eu e minha irmã íamos para o colégio com transporte escolar, van ou ônibus. Me lembro que no retorno pra casa era de ônibus que íamos na maioria das vezes. Eram muitas crianças de muitas escolas, das mais velhas até as pequenas como eu. Lembro que tinha um menino, que pra mim era um moço quase adulto, mas que já não tenho certeza sobre a idade dele, pois me parece que quando eu era pequena eu percebia as pessoas mais velhas que eu beeeeem mais velhas do que elas eram, que me beliscava pelo vão dos bancos do ônibus. Era sempre assim, ele sempre estava ali sentado atrás de mim me beliscando. Não sei o motivo, mas deve ter alguma relação com eu não ter sido muito amigável desde criança... acredito. Rapaz, se você estiver lendo isso hoje, aproveito pra dizer que te odeio desde lá.
No auge da sua imprudência, o motorista do ônibus, para divertir as crianças, fazia zigue-zague com o ônibus no meio do trânsito caótico da capital paulista. Era uma diversão e a sensação de frio na barriga é quase inesquecível! Era sempre assim, o zigue-zague acontecia com muita frequência, até que...
PUM. Bateu!
Não lembro de como foi o acidente, lembro que não foi grave, mas quebraram alguns vidros que machucaram levemente algumas crianças. Tenho flashes disso na minha cabeça, então não tenho 100% de certeza sobre nada que estou contando aqui. 
Até chamarem outro transporte para levar as crianças para casa, ficamos todos em uma praça, ou algum lugar muito parecido com isso. Eu era muuiito pequena e fiquei realmente assustada com o que houve, mas me recordo de pensar "não vou chorar, não vou chorar" enquanto eu descia do ônibus para esperar com as demais crianças, até que eu vi uma pessoa com um corte no braço, e junto com aquela emoção, que pra uma criança é X1000 (vezes mil), chorei. 
Atrai uma roda de meninas de bom coração pra me acalmar, me fazer parar de chorar. Depois daqui, só me lembro de uma coisa: uma dessas meninas, pra me deixar quietinha no canto me deu um pacote de salgadinho do sabor pizza de embalagem cor de laranja. Ponto. Acabou a história. Muita coisa deve ter acontecido, mas só lembro que parei de chorar quando ganhei o salgadinho e depois de um bom tempo alguém me deixou em casa com uma besta (transporte escolar da época).
Porque eu detalhei tanto essa história? Pra que a gente perceba o quanto eu tenho memória de tudo que houve naquele dia até eu me deparar com um pacote de salgadinho (ou chips). Como um marco de antes e depois mesmo. Antes do salgadinho/após o salgadinho. 
É meio grotesco dizer isso, mas aquele podia ter sido um acidente grave, com pessoas gravemente feridas, que aquele pacote de salgadinho me faria não me importar com nada. Ao invés do pózinho de PIR-LIM-PIM-PIM, era o salgadinho do "Tô-nem-aí"!

Hoje, com 21 anos, consigo parar e pensar em quantas vezes a comida teve o mesmo papel que aquele salgadinho. Quantas vezes comi pra me acalmar. Quantas vezes comi pra me desligar do mundo. Quantas vezes comi pra esquecer de um problema. Um refúgio, um salgadinho-portal-do-mundo-de-Nárnia.

Agora, enquanto escrevo, fico pensando: Será que se aquela menina soubesse que com 21 anos eu consideraria o fato de ela ter me dado um pacote de salgadinho de presente pra me tranquilizar é o fato mais antigo mais marcante do qual eu consigo me lembrar, ela teria me dado? Como se em uma fração de segundos ela pudesse pensar num futuro de 20 anos e voltar, sabendo das consequências daquilo, será que ela me daria um salgadinho pensando que pode ser que foi ela quem pode ter me ensinado a usar a comida como um refúgio? Não sei se foi, não sei se não foi, mas pode ter sido. Será?
Você, como mãe, compensou teu filho de alguma maneira com a comida? Ou você que ainda não é mãe, quando for, tendo lido isso, agiria da mesma maneira que a menina?
É complicado dizer, mas provavelmente eu, por impulso, agiria. 


Você já viveu algo parecido com isso? Me conte!

Comentem.
Beijos

11 comentários:

  1. Anônimo15/5/13

    Adorei sua história!
    Me identifiquei bastante pq a comida sempre foi meu refúgio, minha terapia. Desde criança, foi assim que me foi ensinado.
    Hj sofro na tentativa de eliminar esse "velho habito"... e como é dificil deixar de lado algo que nos proporcione um certo bem estar, não é??
    O segredo é o equilíbrio, mas e cadê ele que eu nao acho??rsrsr
    Um beijo!!!

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    1. Pena que não sei seu nome pra poder agradecer diretamente meeesmo. Mas mesmo assim, obrigada por vir comentar.
      Concordo com vc, como é difícil né?

      Um beijo

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  2. Mto bom o post Amanda, super me identifiquei!
    Desde sempre foi assim, minha mãe mesmo conta que me dava um iogurte, esses danoninho sabe? E eu esperneava querendo outro, ela pra me fazer parar de chorar dava o segundo, o terceiro, e mtas vezes até o quarto potinho de iogurte!
    Aí eu penso: fui 'ensinada' a ser assim, e como é difícil se desgarrar desses hábitos, quantas vezes eu triste, magoada, pedi um chocolate pra me acalmar?
    Nossa muitas vezes!
    É como disse a colega aí em cima, o segredo é o equilíbrio, mas ele vive fugindo por entre meus dedos!

    http://casoriofeitoamao.blogspot.com.br/

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    1. Que bom Cynthia... achei que ninguém nem fosse parar pra ler rs
      Eu fui como vc desde criança, mas minha mãe não dava... ela acabava compensando com comida de outras maneiras.
      É complicado né?!

      Beeijos

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  3. eu acho que tudo é levado em consideração quanto á essa nossa compulsão aimentar......
    beijos

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    1. Eu não tenho uma compulsão... é mais um prazer em comer. A comida tem um papel que vai além do papel de me alimentar.
      Mas não como como se não houvesse amanhã rs.
      Beeijos

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  4. Post maravilhoso, Amandinha!
    Eu nunca tive um "relacionamento" com a comida até o terceiro ano do colégio, quando comecei a trabalhar o dia todo e estudar a noite, a cobrança foi praticamente insuportável e me vi debruçada na comida como conforto. Demorei uns 2 anos pra engordar, ma quando aconteceu, foi de repente. Hoje 20 quilos habitam em mim sem que eu tivesse percebido. Na maior parte do tempo ele realmente não me incomoda, mas quando eu vou, sei lá, provar roupa, me dou conta que eu não sou como meu marido, por exemplo, que come pra não sentir fome. Eu como porque adoro comer hahahahaha. A ideia que eu faço da comida é uma das coisas que tenho tentado mudar. Ver os alimentos como necessidade e não como amigos!
    Amei eu post, espero que vc continue escrevendo, vou adorar!

    Beijo imenso!

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    1. Sabe, acho que a gente se perceber dentro dessa situação é um dos passos mais importantes ou pra gente se aceitar como é, ou pra gente buscar a mudança. Um corpo obeso e um psiquismo magro não podem conviver, bem como o contrário, estávamos discutindo ontem isso aqui.
      Eu deveria me impressionar com pessoas (inclusive eu mesma) que comem por N motivos, que não sejam matar a fome, apenas. Mas não, na verdade eu acho impressionante quem consegue (sem esforços!) fazer isso.
      A comida como aliada X A comida como vilã... como lidar com isso?! Complicado né?
      Obrigada pelo incentivo, tentarei postar algo assim toda semana, história é o que não falta.
      Um beijo s2

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  5. amei o texto... e acho que minha infancia foi repleta destes momentos

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  6. amei o texto... e acho que minha infancia foi repleta destes momentos

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  7. Obrigada pelo comentário, Carol! Beijos

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Vou adorar saber sua opinião!