#Eueacomida 2: Dinheiro - um ticket para o maravilhoso mundo das delícias.

Olá meninas, tudo bem com vocês? Gente, vocês estão acompanhando os protestos em SP?! O clima por lá deve ser de pavor, mas eu sou favorável, algo deve ser feito! Se aqui no blog eu tiver leitoras que estão protestando, agradeço e me orgulho pela sua coragem.
Continuando com os assuntos do blog, hoje contarei mais uma história do meu envolvimento com a comida. Coisas que passaram despercebidas durante a minha vida, e que se eu for parar pra pensar, reflete muito o meu modo de vida atual. Que valha de reflexão.


Acreditem, uma das coisas que eu mais gosto de comer é guloseima. Chiclete, bala, pirulito, bala de goma... enfim, esse tipo de coisa que "faz mal pra vida" e é puro açúcar. Se for azedinho, então, sai da frente que é tudo meu. 
Sempre foi assim, desde pequena, e é sobre isso que vou contar hoje.
Um dia, há muito tempo atrás, quando eu tinha, se não me engano, 6 aninhos de idade, meu pai me deu R$10,00 para eu comprar alguma coisa pra mim. UAL TÔ RICA! Dez reais na mão de uma criança de 6 anos é quase equivalente à fortuna do Eike Batista. Fiquei tão empolgada com minha atual situação econômica que fui às compras.
Moro numa cidade pequena no interior do estado de SP e sempre tive muita liberdade para brincar sozinha na rua. Aproveitando essa liberdade fomos, eu e minha fortuna, fazer o meu maior investimento até então. Andei uns 20 quarteirões sozinha até chegar ao bar do Lelo e trocar dez reais por um saco de pão cheio de doces. 
Um saco de pão cheio de bala, chiclete, pirulito, moedinha de chocolate... Que felicidade! 
Voltei pra casa e fui muito feliz mostrar pro meu pai a quantidade de coisa que eu tinha conseguido comprar com o dinheiro que ele tinha me dado.
Fui do estado de euforia ao estado de tristeza em uma fração de segundos. Meu pai ficou bravo por eu ter gasto o dinheiro em um saco de pão de doces e confiscou os doces de mim. Lembro que eu não tinha pego nem um chiclete de dentro do saco ainda porque eu queria todos os doces ali pra mostrar pra ele.
Não me lembro a justificativa dele por ter tirado o meu presente de mim, mas acredito que seja porque aos 6 anos eu já era uma criança gordinha. Acredito também que ele sabia que eu comeria todos aqueles doces de uma vez, em um único dia se eu conseguisse. Pode ser que ele sabia também que eu não ia dar nem metade daqueles doces pra minha irmã porque eu queria que sobrasse mais pra mim.
Depois de ter guardado meus doces, meu pai ia me dando um ou dois por dia, até eu esquecer daquela infinidade de porcarias comestíveis e não me importar mais com aquilo, como toda criança costuma fazer... tem um "objeto de amor" até deixar de se interessar por ele e descobrir outra coisa que seja mais gostosa ou mais legal.
O que isso tem a ver com minha vida hoje?
Parando pra pensar, consigo perceber que desde pequenininha a comida é algo que me traz felicidade. 
Também percebo que tantas e tantas vezes, desde pequena e até hoje, uso a comida como uma forma de me presentear por algo.
Quem nunca disse "hoje eu estou merecendo, vou comer uma tortinha de morango", "estou tão cansada, vou comer um chocolate pra recarregar as energias". Além disso, por muito tempo tive o hábito associar sentimentos à comida sem perceber que fazia isso. Ficava triste e comia até não aguentar mais, ficava feliz e fazia um bolo pra comemorar, estava brava com algo e me tranquilizava com uma bacia de pipocas. 
Hoje, por sorte, consegui perceber esse costume e reduzir, embora ainda existam momentos de descontrole.
Quantas vezes, dos seis anos até os meus atuais vinte e um, desejei aquele saco de pão de doces. Tê-lo, em alguns momentos, seria como um esconderijo secreto. Assistir um filme comendo um monte de porcarias parece uma boa solução para o estresse, cansaço, desânimo...
Você nunca fez ou quis isso? 
Outra coisa que posso perceber através do que contei, que acontece constantemente comigo até hoje, é o papel que o dinheiro pode ter: um ticket milagroso para o maravilhoso mundo das comidas deliciosas.
Ora, vai me dizer que você nunca recebeu o seu salário e aproveitou o bolso cheio para passar no Mc Donalds? 
Muitas vezes já fiz isso! Indo mais fundo na minha linha de raciocínio, não é o Mc Donalds em si, é o ele significa pra mim: alegria, prazer, diversão. É a possibilidade de comer esses sentimentos. Vocês conseguem me entender?! 
Façam um exercício comigo agora:
Fechem os olhos e pensem em uma comida que vocês adoram comer. 
Eu, pensando em balas de goma com açúcar azedo consigo sentir o sabor e o arrepio que aquele azedo me provoca (que eu amo!). Ao pensar nesse sabor associo imediatamente (sem querer) a uma sensação de prazer indescritível ao comer essa bala de goma.

Vocês pensaram em que? Sentiram algo?

O que quero dizer, hoje, é que esse comportamento de atribuir felicidade à comida é muito frequente nas nossas vidas, e que se não percebemos esse movimento, cada vez mais a comida pode passar a ser a única fonte de felicidade.



 Não, eu não consigo resistir a isso.

Essa coisa de atribuir felicidade à comida já aconteceu com vocês? 
E o dinheiro, também é um ticket para o maravilhoso mundo das delícias?!

Me contem!

Beijos

4 comentários:

  1. Anônimo14/6/13

    Oi Amanda,

    Parabéns pelo seu blog, adoro e passo aqui todo dia. Super me identifico com vc, ja fiz essa reflexão algumas vezes, e desde que me entendo por gente me relacionava desta forma compulsiva com a comida. Quando era pequena me lembro de ter tomado 60 yakuts que tinha na geladeira. Só não fiquei obesa pq minha mãe cuidava da minha alimentação. Achar o equilíbrio é muito difícil, mas se conscientizar do problema é o primeiro passo. Não sei se acontece com vc, mas quando sei que tem alguma comida gostosa na geladeira ou no armário aquilo fica na minha cabeça, mesmo que eu não esteja com fome, é como se algo estivesse errado no universo por aquilo estar sobrando. É muito estranho isso, a gente se sente diferente de todo mundo. Estou tentando melhorar, mas tem dia que a compulsão fala mais alto.

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    1. Obrigada pelo seu comentário, querida.
      Fico muito feliz quando alguém para pra ler e contar sua história.
      Comigo acontece igualzinho...
      Volte sempre

      Beijos

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  2. Quando eu era criança tb passei por algo parecido c meu pai, hahaha
    Eu confesso que quando recebo me dou o prazer de comer algo que estou com muita vontade. Já virou rotina, dinheiro entrou na conta, naquele dia eu vou ser feliz, hahaha
    Adorei o texto, beijos

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    1. Meu pai ficou todo culpado quando leu hahahahaah

      Beeijos July!!

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