#Eueacomida 5: De onde vem essa vontade de comer o mundo?

Eii meninas, tudo certinho por aí? E então, meu plano de postar todos os dias foi descumprido com sucesso? hahaha Sorry! Vocês já acostumaram, né?! Vamos com mais um post #Eueacomida hoje, pra gente poder refletir mais sobre nossa relação com a comida e de que forma essa relação pode ser determinante no nosso modo de vida?


Uma coisa eu não posso negar: AMO comer. Comida, pra mim, simboliza tanta coisa que eu preciso de outro post para caracterizar tudo aqui.
Não sei como foi a educação alimentar de vocês, mas a minha... foi péssima. Péssima? Sim! Todos os maus hábitos alimentares me foram ensinados desde muito pequena. 
Claro, não consigo me lembrar disso, mas minha mãe e minha avó sempre contaram que quando eu era bebê e dormia na casa da minha avó, ela deixava duas mamadeiras preparadas a noite, para o caso de eu chorar enquanto dormia. Sim, eu chorava, e dormindo tomava duas mamadeiras inteiras no meio da madrugada. 
Sobre mamadeiras ainda, as minhas eram daquelas maiores, mais redondas, com o bico bem largo, sabem? Como se isso não bastasse, o bico da mamadeira não era furado, era cortado na horizontal, com um rombo para que o leite saísse mais fácil.
Um pouquinho maior, mas ainda criança, me lembro de "bater" pratadas de arroz e feijão, muito além da fome que eu sentia ou da minha necessidade nutricional. Sempre foi assim. Aprendi que é legal e bonitinho comer muito. Olha que exemplo de menina, dá até gosto de ver comendo. 
Pois é... mas aos 8 anos de idade eu já pesava quase 60 quilos, e desde lá minha vida tem a presença constante de nutricionistas, endocrinologistas, todos os tipo de atividade física... tudo, tudo o que uma pessoa pode fazer para emagrecer que não envolva métodos cirúrgicos eu já fiz, acreditem.
Tenho certeza que nada disso foi feito por mal, pelo contrário. Isso foi há 20 anos e naquela época não havia a preocupação com alimentação que temos hoje. Era uma época em que era bonitinho ver uma criança cheia de dobras, era bonitinho ver a criança se divertindo com a comida, comendo um prato cheio do que quer que viesse pela frente. 
Quando comia na casa da minha avó, ahh as avós... ela sempre dizia: "Só pode comer a sobremesa depois que comer a último grão de arroz do prato". "Come tudo, até o final, não pode deixar nada no prato", e daí por diante. 
Quem nunca disse isso para uma criança ou nunca desejou dizer?
Mas, se a gente for pensar sobre esse hábito dos educadores e o resultado que pode ter para a criança que está sendo ensinada, o resultado pode ser, sim, a obesidade.
Tá, mas qual a relação?
Aprendi que tenho que, SEMPRE, comer até o último do que quer que seja que eu esteja comendo. O último grão de arroz, a última bolacha (biscoito) do pacote... comer até o fim do pacote de salgadinho, comer o sanduíche inteiro, independente do quanto satisfeita eu já esteja. 
Aprendi também a comer rápido, com o bico da mamadeira cortado ou então por saber que depois de comer eu teria uma compensação ainda maior que era a sobremesa. 
Aprendi que comer não tem só a finalidade nutricional que deveria ter, mas tem uma carga emocional, sentimental, prazerosa.
Por sorte, depois de tantos tratamentos, hoje eu consigo controlar um pouco melhor essa compulsão de comer tudo até o fim, porque esse fim, em determinado momento, não era o fim do pacote, era o fim do armário, o fim da geladeira... era um fim que não tinha fim, que foi me condicionando a comer cada vez mais, todo o tempo. 
Tive sorte, também, dos meus pais nunca oferecerem tanta porcaria para comer ou deixarem esse tipo de alimento à disposição, então quando comia muito, a maior parte era de frutas, comida normal, verduras e legumes. Embora seja um péssimo hábito, é melhor do que comer salgadinhos, bolachas, doces, o tempo todo, o que poderia ter me causado vários problemas de saúde.

Confesso, também, que não é fácil controlar a vontade, não é fácil sentir o cheiro de alguma coisa que eu gosto demais de comer e saber que eu só posso comer um pouquinho daquilo. É preciso muita disposição e muita força de vontade... infelizmente essa é uma luta contra mim mesma.
Então, gente, pensem nisso quando vão à mesa com seus filhos ou lembrem-se disso quando tiverem seus filhos um dia. Óbvio que a intenção não é colocar a criança em restrição alimentar, mas pensar no que está sendo servido para ela comer e de que maneira isso está sendo oferecido. O que será que você está ensinando para ela com isso?

Quis falar sobre isso hoje porque obesidade infantil não é brincadeira e todos os dias vemos que os índices estão aumentando.
É tudo uma questão de parar, pensar e praticar. A prática de bons hábitos alimentares desde cedo pode tornar tudo muito mais fácil.

Vocês já passaram por algo parecido? Como foi a educação alimentar de vocês?
Me contem!

Beijos

17 comentários:

  1. Muito bom seu post Amandinha!
    Bom realmente péssimos hábitos alimentares vem de berço e desconstruir tudo isso é difícil, mas com muita dedicação, força de vontade conseguimos ir mudando nossos hábitos aos poucos!
    Parabéns pelo autocontrole!

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    1. Obrigada pelo comentário, Kaw!!
      Infelizmente desconstruir isso é muito difícil mesmo, é uma luta.
      Espero muuuito que você obtenha sucesso na sua luta.

      Um beijo

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  2. Adorei o post!

    e assim como vc, tb tive uma educação alimentar péssima... minha mãe me contou que qdo tinhas uns 6 anos, eu tomava 6 mamadeiras por dia... acredita??? Eu tb não gosto de deixar nada no prato e a cada dia estou me reeducando para apenas saciar a minha fome e não comer até ficar super cheia.


    Beijão!

    Piece of My Heart

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    1. Eu acredito nas suas 6 mamadeiras sim, até pq eu devia tomar isso ou até mais.
      Tenho tentado colocar cada vez menos comida no prato pra ir testando minha saciedade... qual é a quantidade correta que me alimente. Olha, é um exercício difícil.

      Obrigada pelo comentario.

      Beijos

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  3. Uma psicóloga fazendo uma autoanálise e, ao mesmo tempo, analisando todas nós. Parabéns pelo ótimo texto! Acho que o melhor que já li aqui.

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    1. Obrigada pelo elogio, Bruna.
      Gosto sempre de trazer essas reflexões pra cá, é uma forma da gente ir se policiando e entendendo melhor o nosso próprio funcionamento.
      Fico muito feliz com o seu comentário.

      Um beijo!!

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  4. Eu adorei o texto e principalmente a sua entrega nele! Não passei por isso, fui uma criança e adolescente magra, mas convivi com pessoas que sofreram com isso desde pequenas, sem contar o bulyng na escola, etc. Enfim, é uma coisa crescente e no mundo todo. É bom que estão se conscientizando que obesidade é doença e pode trazer mtos transtornos pra vida adulta e tb pras nossas crianças. É preciso atenção! Parabéns pelo texto! ;)

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    1. Obrigada pelo comentario, Vely... adoro sua participação aqui.
      Fico feliz que tenha gostado do post e é importante pra mim quando você também divide coisas da sua vida conosco.
      No entando, Vely, é preciso prestar um pouquinho mais de atenção quando diz que obesidade é doença. Não é. A medicina tende a tratar dessa forma porque eles dependem de pessoas doentes para ganhar dinheiro. Estudo a obesidade há mais de três anos e todas as outras vertentes profissionais que lidam com a obesidade não a tratam como doença. Consideramos a obesidade como uma condição corpórea que PODE causar algumas doenças, mas que não necessariamente causará.
      Essa é mais ou menos a ideia do blog, de que obesidade não é algo pra deixar aumentar cada vez mais, é preciso ter cuidado, mas não necessariamente é algo para ser corrigido.
      Obrigada pelo carinho de sempre!
      Um beijo, querida

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    2. Sim, entendo a sua colocação, quando coloco como doença nem é tentando depreciar e concordo plenamente que mtos lucram sempre com esta condição, principalmente as indústrias farmaceuticas. Eu não tenho conhecimento do lado psicológico, mas de tudo que já li e já estudei a respeito como leiga além de tudo que já passei sendo obesa, acredito que nascemos com a "predisposição" se é que posso dizer assim, tento achar algo plausível pra explicar o motivo de algumas pessoas nascerem obesas e passaram a vida assim e outras adquirirem esta condição corporea depois de 20, 30 anos, depois de casar, de engravidar, etc. É fato que pra muitos obesos recentes(meu caso) existiu um gatilho na vida, algo que despertou isso dentro da gente. Concorda?

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    3. Concordo sim, Vely, e de fato existe essa predisposição, tanto que filhos de famílias obesas tentem a serem obesos também, considerando alterações genéticas e hábitos de vida.
      Tenho vontade de estudar a história de vida de pessoas obesas e fazer uma relação com situações estressoras. Porque eu acredito (também como leiga), que quando a obesidade surge somente em determinado momento da vida da pessoa, teve algum evento que a desencadeou... quero descobrir o que.
      Obrigada pela resposta ;)

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  5. eu tbm tenho e tive mais ainda problemas com comida, acredito que isso ocorre realmente na tenra infancia....
    beijos, lindo dia

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    1. Pois é, por isso a necessidade de ficar atenta À alimentação da criança desde muito cedo.
      Obrigada pelo comentário, Fabi.
      Beijos

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  6. Nós não somos irmãs, criadas pelos mesmo pais? hahaha... minha mamadeira era assim :( Fui criada pelo meu pai que trabalhava em casa, então ele servia um mega pratão e eu tinha que comer tudo, 8 anos já tinha mais de 50 kg também. Tive uma época séria compulsiva por biscoitos, que eu comia escondida, uma longa história... Mas também não tinha acesso a tantas porcarias... agora vendo a educação alimentar do meu irmão, que é dez anos mais novo é simplesmente "coma o que couber", e ele é uma criança saudável. São tempos, criações diferentes... Achei essa matéria bem interessante também, se quiseres olhar http://revistacrescer.globo.com/Colherada-Boa/noticia/2013/11/7-coisas-que-voce-nunca-deve-dizer-ao-seu-filho-na-hora-das-refeicoes.html
    Hoje, sempre na verdade, é muito difícil a reeducação, não como mal, mas errado (comia haha). Só não podemos desistir, por nós, pela nossa saúde em primeiro lugar!
    Adoro essa tag!!!

    Beijos lindona

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    1. hahha eu adoraria que fossemos, Nina. Você é minha queridinha hauahuah
      Obrigada por compartilhar a matéria comigo, gosto muito de ler sobre isso.
      Gosto de fazer essa tag pra ajudar os leitores a pensar nisso e de alguma forma levar para a vida. Só a gente que passa por essas situações sabe o que elas causaram em nós.
      Desistir jamais!!

      Um beijo lindona

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    2. ahhh que amada, que um dia a gente possa se conhecer pessoalmente! bj

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  7. O que eu acho bacana é que você trata desse assunto comida com muita naturalidade! E é assim mesmo que tem que ser! Acredito que você estar se formando em psicologia te ajudou muito a entender esse seu relacionamento com a comida, não é mesmo? Eu fui uma criança magra, até que minha mãe, que já trabalhava muito, abriu uma empresa e minha alimentação ficou por conta da minha babá. No começo a babá trabalhava com ela nesse novo negócio, eu tinha 08 anos de idade. Fiquei com a minha avó! Mamadeira era mato! Empadinha, pastel! Me lembro até hoje que meu avô acordava às 5 da manhã pra fazer o pastel que ele vendia no bar da família! Eu tinha direito a um enorme, recheado com muito queijo e todas as tirinhas que sobravam ele fritava pra mim! Imaginou meu café da manhã? Comia muita besteira! E foi aí que comecei a engordar! E olha que eu sou muito chata pra comer! Não como carne vermelha, não é todo legume ou toda verdura que eu como tb! As coisas têm que ter um sabor bacana pra eu gostar! Tudo que engorda tem um sabor muito bom! Trazer esse sabor pro que é saudável é o meu desafio diário! Gosto muito de queijo, coloco um pouquinho em muitas das coisas que vou comer! Huahuahauhauahauhuaha!! E assim vou reaprendendo a comer só pra suprir as necessidades do meu corpo também! Porque se deixar, eu quero sair do regime toda hora! Aí haja academia e dança pra dar conta!! E assim vamos indo, né? O bom é que eu emagreci bastante e não voltei a engordar! Viajei e não engordei uma grama! Reeducar-se é bacana porque você aprende a ouvir seu organismo, não dá mais conta de comer tanto, se preocupa em se exercitar! Na praia eu caminhava na areial, entrava muito no mar, passeava a pé para fazer compras, tudo isso ajuda na contrapartida da comida, que a gente acaba exagerando um pouco! Comi peixe frito, batatinha!! Mas não engordei porque me preocupei em me mexer!! Muito obrigada por trazer um texto tão rico, Mandinha! Beijos!!! Rê!

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    1. Oi Rê!!
      Então, é justamente essa naturalidade que quero passar, porque é assim que isso deve ser tratado. Acho que comer, obesidade, e tudo mais tem que deixar de ser tabu e ser discutido abertamente para que as pessoas possam entender a mensagem real que está sendo passada.
      Legal ver que vários tipos de história de vida desencadeiam coisas parecidas, né? No nosso caso a obesidade, que nao é tao legal assim.
      Acho que nunca te vi tão determinada com algo, e é por essa determinação que tenho certeza que sua mudança de vida será bem sucedida.
      Um beijo,Rê!!

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