#Eueacomida 6: às vezes eu tentava não comer

Olá meninas, tudo certinho com vocês? Agora o ano começa pra valer aqui no Linda GG. Para voltar, depois de um tempo sem postar, pensei em algo que fosse pessoal, que realmente me trouxesse de volta ao blog, mas que não fosse um look da vez, apenas. Porque não mais um post da série #Eueacomida, então?


Não me lembro se já contei essa história aqui no blog ou não. Talvez eu já tenha comentado, mas acredito que não contei a história toda. Acho que na vida de 99% das gordinhas há uma coisa em comum: regime. 
É sobre isso que vim contar hoje e explicar sobre a carga de importância que isso teve para que eu me veja e me encontre no meu atual momento com meu corpo.

Fui uma criança que sempre foi gordinha. Sempre fui a criança que comia bem, que não deixava um grão de arroz no prato, que tomava a mamadeira toda, que dava gosto de ver comendo. Até uma etapa da infância isso é bonitinho, é motivo de satisfação para os pais -erroneamente, claro-, mas depois esse "comer tudo, de tudo, sempre" passa a se tornar preocupante.
A primeira vez que me lembro de ir buscar algum tipo de ajuda para controlar minha alimentação foi aos meus 8 anos de idade, quando eu já pesava quase 60kg. Eu não sabia exatamente do que se tratava, o que faria lá, mas me lembro de ter saído da consulta com um cardápio na mão que me "PROIBIA" de comer as coisas que eu gostava. Tá, tudo bem, eu sempre gostei de frutas de verduras, mas intercalados com frituras e bolachas (biscoitos). Acontece que tive que seguir à risca àquilo que a nutricionista tinha indicado, minha mãe controlava tudo... eu realmente me esforcei. Várias e várias vezes voltei para fazer a pesagem e eu tinha engordado alguns gramas. Como? Não sei. 
Mas sei que eu me sentia mal, me sentia fracassada, me sentia decepcionando minha mãe e incapaz de cumprir aquele objetivo. Esses sentimentos foram responsáveis pela primeira vez que chorei quando subi em uma balança, e também responsáveis pela segunda, terceira, quarta... quantas e quantas vezes não consegui segurar a lágrima por não ter conseguido emagrecer.
Passou esse tratamento, começaram outros. Passei por todos os tipos de acompanhamentos para emagrecer que vocês podem imaginar. Outros nutricionistas, nutrólogos, endocrinologistas. Segui variados tipos de cardápios, fiz vários tipos de regimes (sim, regimes. Não só alimentares, mas se tornavam regimes de vida), tomei remédios. Testei de tudo. 
Em todas as etapas o sentimento de fracasso esteve presente, porque eu emagrecia um pouquinho e depois estabilizava e não emagrecia mais nada.
"Ahh, mas e os exercícios? Dieta nenhuma faz milagre, Amanda." Cansei de ouvir isso.
Natação, hidroginástica, balé, jazz, sapateado, academia, caminhada, estão bons pra você? 
Fiz de tudo. Fiz combinações de atividades para potencializar o efeito. 
E o resultado? Eu era feliz por emagrecer um pouquinho mais, mas triste por fazer coisas que eu não gostava, por me esforçar e não ficar magra, por ter que seguir um cardápio alimentar restrito sem nem entender direito o porquê de tudo aquilo.
Foram inúmeras as vezes que chorei querendo desistir. Inúmeras as vezes que chorei quando ia comprar roupa e os números do manequim não diminuíam, inúmeras as vezes que eu chorei quando subi na balança e vi os números subindo.
A última vez que tentei emagrecer pra valer foi com uma nutróloga, eu já estava com 15 anos. 
A dieta era maluca, o tratamento era triste, a disciplina exigida era absurda. Eu passei por tudo isso com tanta dedicação quanto nunca tinha tido antes, porque essa foi a primeira vez que eu realmente fui emagrecer sabendo o que eu estava fazendo, que aquilo tinha sentido pra mim.
Conto essa parte porque é a que mais me marcou e mais me impressiona quando paro pra pensar hoje em dia. Acreditem vocês, mas passei quase 2 anos praticamente sem colocar uma colher de arroz na boca, sem chupar uma bala, sem comer massa, pão. Passei esse tempo evitando ir a festas de aniversário só porque eu não podia comer nada daquilo que estava lá, evitando sair pra comer porque eu não podia comer. Quando pedíamos pizza em casa, eu só podia comer o recheio de alguns sabores de pizza, nada de colocar a massa na boca.
Eu tenho horror a agulhas, e ainda assim me submetia a duas injeções semanais de enzima, alternando com uma injeção de cafeína. Sem contar as 5 ou 6 cápsulas que eu era obrigada a tomar.
O resultado disso foi emagrecer, emagrecer mesmo. Sequei como nunca tinha acontecido antes, diminuí quantidade considerável de peso, perdi números no manequim. 
Fiquei magra, mas tinha cara de doente. Por só comer o que era permitido, eu era amarela, com o cabelo ralo, abatida e sentia um sono que não cabia em mim. 
Estava feliz por estar o mais magra que já consegui ser, mas infeliz por todo o resto. Minha vida estava ficando pra trás. 
Depois de quase 2 anos, já desanimada porque minha vida continuou a mesma, só que mais magra e menos feliz, fui parando aos poucos. Desisti. 
Tive uns meses até que consegui compreender tudo o que tinha acontecido e decidi que, a partir daquele momento, eu jamais deixaria de viver para ficar magra outra vez. Vi que sempre fui bonita, gorda ou quase magra, e que eu não precisava daquilo tudo para me sentir atraente.
Foi aí que surgiu o Linda GG. Uma ideia bastante vaga até então, mas que tinha o propósito de ajudar pessoas a entrarem em sintonia consigo mesmas... e quase 4 anos depois posso avaliar que essa sim é uma meta que valeu muito a pena ser atingida.

Porque contar tudo isso?
Pra vocês verem que vocês não são as únicas a passarem por isso. Dietas de todos os tipos, com diferentes resultados, que trazem um misto de alegrias e tristezas, mas que no fim de tudo, pode favorecer uma compreensão maior da nossa vida. 
Não é fácil conviver com a sensação de fracasso e chorar cada vez que sobe em uma balança. Não é fácil conviver com o olhar e o julgamento alheio. Não é fácil viver querendo corresponder às expectativas do mundo. 
Não é fácil colocar tudo isso em órbita dentro da gente para poder viver em paz.

Buscar nossos objetivos sempre é válido - SEMPRE -, mas tenha uma meta, um ponto de chegada. Avalie as emoções que forem surgindo, tentem perceber o que elas querem nos dizer. Nada é mais triste do que viver de modo totalmente impessoal. Independente de qual seja sua meta e de onde esteja sua felicidade, dê as mãos pra você mesma e jamais te deixe afastar de você.

Um beijo!

12 comentários:

  1. Lindo seu texto. Parabéns por ter essa coragem de se expor,e assim nos ajudar. Bjus!!!

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    1. Obrigada, querida! Volte sempre <3

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  2. Como sempre, adorei o texto! Acho que o mais difícil é encarar o julgamento (idiota) alheio... a gente tem que aprender a ser feliz com a gente e a não dar importância para que os outros (que na maioria das vezes) pensa sobre a gente. Isto é um exercício diário.

    Beijão!

    Piece of My Heart

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    1. Amo sua participação aqui, Bella.
      Realmente é muito difícil compreender que nós estamos em primeiro lugar na nossa vida, e abrir mão dos comentários alheios.
      É um exercício diário, e graças a Deus consegui passar por isso de modo positivo.

      Um beijo

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  3. Já disse que eu amo esta tag né? Ela sempre me entende! hahaha...
    Sabe que a minha mãe está numa dieta doida dessas de não comer carboidrato, aplicações de enzimas. Agora ela deu uma parada, mas já reagendou tudo para depois das férias. Confesso que quando ela estava firme nesta dieta ano passado era isto mesmo que você relatou, cor amarela, cabelo ralo, muito sono ( isso que ela já tem muito sono), bem abatida. Não concordo com a escolha dela, e eu sempre digo "se tu desmaiar na rua tu liga pra essa tal clínica" hehehe...
    Beijooos

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    1. Você é minha irmã virtual hahahah
      Todas as pessoas que conheci que fizeram essa mesma dieta, desistiram de vez depois. É muito sofrimento pra uma dieta só. Fica de olho na sua mãe heim!!
      Beeijos, querida

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  4. super me identifiqueiiiiiii
    beijos e obrigada por nos brindar com divino texto. que o ano comece!

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    1. Obrigada, Fabi.
      Que o ano comece!!

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  5. Inspiradora sua história! Já passei diversas vezes por situações parecidas! Teve uma época que eu consegui emagrecer 30 quilos e mesmo assim não me sentia feliz. Depois engordei tudo de novo e o ciclo recomeçou. Depois que desencanei desse negócio de estar nos padrões, não deixei que mais ninguém dissesse como as coisas teriam que ser pra mim. É muito ruim viver em função do que os outros pensam. Comecei a emagrecer de novo e o povo já começou com o tal do que estou muito melhor agora, que estou muito mais bonita, mas o que importa pra mim é que eu sempre me senti linda! Independente do peso da época! Beijos!!! Rê!

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    1. Acredito que a maioria das gordinhas tenha uma história como essa ne. Infelizmente só com o tempo nós conseguimos aprender e valorizar aquilo que realmente é importante para nós e para nossa vida, e então conseguimos nos libertar dos padrões.
      Vc é um exemplo pra mim, Rê.
      Beijos

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  6. Andréia27/1/14

    Eu lembro dessa fase, das marcas das agulhadas e de todo o esforço. É por essas e outras que você venceu isso também, talvez não tenha chegado ao peso que a nutricionista esperava, mas aprendeu o que poucas conseguem e confesso que nem eu mesmo, magra, consigo totalmente. Que é se amar da forma e do tamanho que é!
    Parabéns, Mandi. Você é uma inspiração para mim e minha melhor amiga.
    Amo você! #gay rs.

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    1. Oun amiga, que saudade! Me fez chorar aqui, sabia? Sinto taaanta falta de dividir as coisas com vc.
      Adoro me lembrar e ver que vc esteve em vários momentos importantes da minha vida. Obrigada por cada segundo!

      Beijos,
      AMO VC!!

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