#Eueacomida: Você tem fome de quê?

Lá vamos nós tagarelar. Quem vem comigo?
Mais um post da série #Eueacomida (eu e a comida). Tenho adorado contar esse episódios para vocês, é como se eu estivesse em uma sessão de terapia, só que com amigas, pensando, refletindo e trazendo significados a alguns comportamentos passados e a maneira como eles refletem na nossa (minha) vida atual.



Muitas, muitas vezes por dia me pego morrendo de vontade de comer algo gostoso. Sabe aquela vontade que vem não sei de onde de comer não sei o quê? Pois é... e a impressão que eu tenho é que se eu não comer essa coisa gostosa que eu estou querendo, vai crescendo cada vez mais um vazio existencial dentro de mim como se naquele momento eu me reduzisse a ser somente "a vontade de comer aquela comida". Não consigo me concentrar na tarefa que estou fazendo, não consigo puxar assuntos que não sejam "Que vontade de comer uma coisa boa" com qualquer pessoa que apareça na minha frente, e o pior: não consigo parar de pensar nisso. 
Trazendo a situação para o meu dia a dia, fica até difícil escolher um único momento para exemplificar, mas vou usar aquele que é mais frequente acontecer.
Desde que comecei a faculdade não moro mais na casa dos meus pais, e a partir daí não tive mais toda e qualquer comida disponível o tempo todo para mim. Pelo contrário, minha (má) alimentação é bem limitada. Quem tem vontade de cozinhar só pra si mesmo? Além disso, por saber que se eu comprar eu vou comer, evito de ter em casa as coisas que mais me chamam a atenção - salgadinhos, doces, balas, bolachas. Isso porque além do "se comprar eu vou comer", existe o "se eu comer, como inteiro, até o farelo". Muita gente fica assustada ao ver esse comportamento que se não beira a compulsão, chega a ser compulsivo. O que essas pessoas não entendem é o quanto sofrido é não conseguir ter controle de si mesmo. Esse sofrido normalmente vem acompanhado de vários sentimentos negativos, como mágoa, arrependimento e algumas vezes o sentimento de fracasso por não ter conseguido deixar o pacote já na segunda bolacha e ter ido até o fim.
Aos finais de semana volto para a casa dos meus pais e lá, sim, tenho tudo o que eu quiser disponível pra comer. Desde o salgadinho, até as comidas de mãe mais gostosas. E sim, tenho que me policiar muito pra não comer tudo de uma vez só, ou não ficar só na porcaria, pão, pipoca.
Tá, mas o que isso tem a ver com o começo do texto?
Então, quando eu não sei identificar o que eu realmente quero comer, pode ser que qualquer coisa sirva, mas pode ser que nenhuma coisa sirva. No meu caso, normalmente é a segunda opção. Como brigadeiro, mas ele não preenche meu vazio, como pipoca, e nada; chiclete, arroz, bolacha, sorvete, bolo, salgadinho, carne... e nenhum deles sanou minha vontade de comer alguma coisa gostosa. Vou comer até quando, vou comer o que mais? Ás vezes passo dias tentando descobrir o que eu realmente quero. Felizmente tenho tido um pouco mais de consciência disso e consigo controlar essa fome emocional.
Bingo! Cheguei onde eu queria.
Fome emocional é aquela que não tem a ver com a manutenção da vida. É aquele comer porque a comida está lá, ou porque naquele dia a gente merece, ou porque o cheirinho da comida da nossa mãe é tão bom, porque dá dó de jogar fora. É a fome que não acaba nunca quando estou triste ou ansiosa, é a fome que me faz continuar comendo mesmo quando já estou muito satisfeita.
Quantas e quantas vezes não nos vemos em situações como essas? Recompensamos algumas coisas da nossa vida com a comida. Usamo-as como premiação, agrado.
Refletir sobre isso é a melhor maneira que encontrei de tentar controlar esses impulsos. Tento, também, estar atenta aos meus sinais físicos de fome, me policiando para relacionar a comida à fome física, ao estômago doendo ou ao horário da alimentação.
Além de notar isso em nós mesmos, é muito importante que você, mãe, esteja atenta não só ao seu comportamento alimentar, mas também ao dos seus filhos. Além dos pequenos agirem por repetição, usando o seu prato de comida como modelo, que tipo de alimento você oferece quando a fome vem? E se você costuma dizer "hoje você se comportou, a mamãe vai fazer batata frita", tente repensar e ficar atenta ao que você estará ensinando com isso. 



Como já contei em outros #eueacomida, sempre me presenteei com a comida, sempre relacionei o sentar à mesa com família unida, festas e comemorações - felicidade de maneira geral. 
Ás vezes vem uma fome enlouquecida de alguma coisa boa...
...quem me dera nesse momento eu pudesse comer o abraço de mãe.

E você, tem fome de que?

3 comentários:

  1. Eu tenho fome de tudo q é gostoso
    como por gula mesmo,minha relaçao com a comida é complicada,pois vejo prazer em comer o que gosto...mais tenho refletido sobre o papel da comida em minha vida e sei q deve ser de forma consciente

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    1. Obrigada pelo comentário, querida!!
      Bom te ver por aqui sempre

      beeijos

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  2. Essa fome dá sempre nos sábado a tarde, dia de fazer trabalhos escolares. hehehe... aí como de tudo. afe
    Ai Amandinha, sabe que eu acho que atingi o meu peso hoje muito por falta dessa supervisão adulta, a "pena" do dizer não. E eu sou infeliz pra caramba com meu peso, sempre fui, e já sofri muito. Hoje, praticamente cuidando do meu irmão, eu regulo e muuuito, ás vezes a mãe diz pra mim parar com a neurose hahaha... temos que ter uma educação alimentar desde cedo, e supervisionada sim, não aprender a comer mais porque está gostoso.Tá um negócio que eu preciso tratar.

    Como eu sei que tu és a minha leitora preferida, tem post lá no blog. hahaha
    Beijão

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