#Eueacomida: A gorda e o magro.

Boa noite, meninas, tudo certinho por aí? E não é que estou aqui de novo?! Prontas para mais um episódio da Tag Eu e a comida? Hoje, na verdade, não vou contar sobre a minha relação com a comida, exclusivamente, mas na forma como a minha relação com a comida interfere na minha relação com as demais pessoas, ou a delas comigo. Talvez alguma de vocês já tenha passado por isso ou por algo parecido, mas é uma situação tão repetitiva e recorrente na minha vida, que resolvi conversar. Por isso, sentem que lá vem história.


Já contei isso pra vocês, cresci uma criança gordinha. Cresci ouvindo pessoas dizerem que eu era linda, mas era gordinha. Por toda minha infância ouvi dizer que eu tinha que emagrecer para, de alguma forma, "as coisas darem certo". Não culpo ninguém, isso é apenas o reflexo do despreparo do adulto para lidar com a obesidade infantil. Acontece que, além de todas as coisas que ouvi, alguém disse também que EU TINHA QUE EMAGRECER, SENÃO, QUANDO EU CRESCESSE, NÃO ARRUMARIA UM NAMORADO BONITO. Não foi só uma vez que isso me foi dito. Avós, tios, pessoas próximas usavam isso como incentivo. 
Comer sempre foi minha fuga, meu refúgio, meu prazer, minha diversão. Comer, até hoje, está erroneamente relacionado a uma sensação de felicidade e satisfação pessoal. Quando criança comecei a sentir pena de mim e em diversos momentos, senti vergonha de ser como eu era. Já que eu não arrumaria um namorado bonito, eu sanava a sensação de incapacidade justamente com a alimentação. Lembro que na escola, terceira, quarta, quinta série nunca me permiti gostar do menino mais bonito da sala porque achava que PORQUE EU ERA GORDA ELE NUNCA SERIA MEU NAMORADINHO. Eu gostava, propositalmente, dos meninos mais "comuns" ou mais "esquisitinhos" da sala por que, bom, era o que me restava de opção. Sempre tive um medo absurdo de dizer a algum menino que eu gostava dele ou permitir que alguém soubesse disso só por eu ser gorda. E se zombassem de mim? E se zombassem dele por minha causa?
Esse sentimento todo sempre foi muito reprimido dentro de mim, era algo com relação ao outro, porque eu, sozinha, sempre me achei uma criança bonita, sempre usei biquíni, sempre me expus. 
Ao longo desse tempo todo fiz váááários tratamentos para emagrecer, de todos os tipos que vocês podem imaginar, e nunca - NUNCA - fiquei magra, apesar de ter emagrecido várias vezes eu ficava só MENOS GORDA. 
Acontece que cresci e algo me surpreendeu: alguns meninos começaram a gostar de mim. "Mas como assim? Eu sou gorda!", era só o que eu pensava.
Adolescente, comecei a descobrir que, para alguns - poucos -  isso era normal. Descobri, também, que para outros, era, inclusive, charmoso. 
O mito de que GORDA NÃO VAI NAMORAR foi morrendo dentro de mim e dando espaço para uma nova possibilidade. 
O tempo passou e não cabe dizer aqui quantas pessoas conheci, mas tive chance de conhecer e me aproximar daqueles caras bonitos que disseram que não se interessariam por mim por causa da forma do meu corpo.
Eu namoro há algum tempo. Meu namorado é um pouquinho mais velho que eu, MAGRO, e bonito. 
Recentemente comecei  a me expor com ele de forma que nunca tinha feito. Encontrei muita gente que nunca tinha me visto acompanhada e não são poucas vezes que tenho ouvido essa sequência:
"_Nossa, você está namorado?
_Sim!
_Parabéns! Ele é magro, ele é bonito."
A expressão das pessoas ao dizerem "Parabéns, ele é magro e bonito" é de surpresa, como se elas não entendessem o porquê de eu, GORDA, namorar um cara magro. 
Massssssssssss peraí, deixa eu ver se estou entendendo: a pessoa me parabeniza por ter um namorado magro? Como assim? Esse é um grande feito meu? Gordo só pode namorar gordo? O que é estranho em tudo isso, eu ter um namorado, eu ter um namorado magro ou eu ter um namorado bonito? Nunca sei o que a pessoa quer dizer. 
Minha reação? Sorrio e mando à merda mentalmente. 
Tenho uma irmã dois anos mais velha que desde sempre namora quem, hoje, é o marido dela. Ela tem o corpo "normal", manequim 40 e eu NUNCA ouvi ninguém se surpreender porque ela namorava um cara magro. Nunca vi ninguém falar da magreza dele como um elogio para ela. 
Porque fazem isso comigo? 
Ser pouco atraente por ser gorda é um fardo que vou ter que carregar? Não! Pra cima de mim isso não funciona.
Sim, meu namorado é magro, é alto, é bonito, é inteligente, é divertido. É MEU. 



Dia desses vi um trecho de um texto publicado lá no blog Mulherão que achei incrível e compartilhei nas minhas redes sociais:


"Passei a minha vida inteira aprendendo que ser gorda não é legal. Que eu não seria amada, atraente e muito menos teria sucesso, que eu não seria digna de elogios. Como muitas de vocês, criei a imagem de um monstro e fui repreendida e rebaixada diante de várias situações por conta do meu peso.

Familiares diziam que eu se eu ficasse magra tudo seria diferente, tudo seria mais fácil e sabe o que eu aprendi? Que a vida é difícil pra quem dá desculpas pra viver."

Sabe porque evidenciei tantas vezes o rótulo "gorda" neste texto? Porque com tudo isso aprendi que ser gorda não é empecilho. Aprendi a me amar do jeito que sou. Mais do que isso, ENSINEI a me amarem exatamente como sou!

Um beijo.
Boa noite!

11 comentários:

  1. Só uma palavra pra vocês: lindos!
    Amo essa tag, muito obrigado!!

    Beijos

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    1. Nina, amor, adoro você aqui!
      Sempre que vou escrever essa tag lembro de você, que toda vez diz que gosta.
      Obrigada pelo carinho s2

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  2. Minha relação com a comida sempre foi e sempre será a pior possivel, como na felicidade e na tristeza, na ansiedade e normalidade na saude e na doença rssss, entao complica, mais tenho lidado melhor com isso nos ultimos meses (necessidade...)
    e qndo adolescente vivi com esse mito GORDA NÃO NAMORA, achava q esse tipo de coisa não era pra mim e resultado? me tranquei pra isso a ponto de achar q os poucos meninos q se aproximavam queria era zombar então nunca me permitir...so conheci o amor mais tarde...
    hoje tenho meu Amor, o mais lindo de todos, magro , lindo aos meus olhos e o melhor amor de todos, agora sim sei o que é amar e ser amada sem neuras nem cobranças, nunca recebi nenhum olhar de reprovação dele, pelo contrário, ele me faz sentir a mais linda de todas a cada momento.

    Lindona amei o post, (aproveita e passa la no Blog q tem post com look plus size,)
    Bjokas

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    1. Eu sempre escrevo essa tag porque sei que muitas de nós, gordinhas, passamos por momentos assim mas temos vergonha ou não costumamo dividir com os outros. Escrevo também para que as pessoas magras que talvez vejam essas histórias percebam o quanto o comportamento delas é nocivo muitas das vezes.
      Essa coisa de se trancar é muuuuuuito comum, mas nunca é tarde para encontrar um grande amor.
      Felicidades a você e seu amor, linda!
      Um beijo

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  3. Adoro essa tag, e super me identifico, pq afinal de contas tbm tenho uma relação conturbada com a comida, e recorro a ela em quase todas as circunstancias da vida, como se ela fosse um cano de escape....
    A questão de namorar magro tbm já vivenciei, já tive 2 namorados (sérios) antes de conhecer o Abel, e os dois eram brancos e magros, pra mim a palavra branco, tbm vinha embutida nos comentários sabe, e lembro de uma vez uma tia (incoveniente) minha dizer pra um deles: 'nossa, vc gosta mesmo da minha sobrinha? ele respondeu que sim e por isso estava comigo, ela não satisfeita emendou: que bom fia que vc CONSEGUIU um namorado, ele gosta de vc MESMO vc sendo 'gordinha'....
    Aff, tenho ânsia só de lembrar, e respondi a altura, afinal de contas eu tinha um namorado, estava na universidade, tinha um emprego fixo, enquanto a filha dela, MAGRA, da mesma idade que eu, já tinha 4 filhos, NÃO tinha marido, nem emprego, e mau sabia escrever o nome, então assim, não valia a pena me incomodar com aquilo sabe, mas me incomodou sim, e mto!
    Hoje eu vivo o outro lado, meu marido é negro e gordo tbm, e alguns seres nos olham como se fossemos ets...Mal sabem eles, que conheci o Abel enquanto namorava o magro, branco, e que terminei com ele pelo Abel, e olha, foi a decisão mais sábia que já tomei, hoje posso afirmar com certeza que tenho um homem de verdade do meu lado, que me ama, me respeita, e que eu quero compartilhar a vida!!!
    ps: perdão pelo sermão, kkkk, impossível vir aqui e não fazer isso...kkkk

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    1. É bem isso mesmo pra mim, a comida sempre foi minha válvula de escape. Triste, mas real. Hoje, me conhecendo melhor e sabendo das minhas dificuldades consigo controlar isso, mas vira e mexe acabo deslizando nesse comportamento.
      Engraçado como os estereótipos permeiam nossa vida, né? As pessoas de fora veem nossos relacionamentos como troféus para nós, e a palavra CONSEGUIU soa como algo muito pejorativo mesmo.
      Meu peso, meu corpo, nunca definiram nada sobre mim.
      Acompanho sua história com o Abel e vejo sua felicidade estampada. Parabéns por cultivar esse amor bonito de se ver.
      Um beijo linda!

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  4. Passei por tudo isso! Parece até a minha história! Todos os meus namorados de adolescente a adulta, sem exceção, foram atléticos e bonitos. Uma vez fui a um clube com um deles e as pessoas olhavam pra gente espantados. Ridículo, né?! Faz muitíssimo bem em se amar, pq vc é linda!

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    1. Brunna, que lindo ver você aqui.
      Novos comentários são sempre bem-vindos. E sobre lindeza, vc é campeã nisso!
      Um beijo, querida!

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  5. Andréia10/7/14

    Você é incrível, amiga!
    E muito, muito linda!

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  6. Olá Amandinha, boa noite.
    Primeiramente, parabéns pelo o seu Bog, eu sou novata nessa geração de blogues rsss, mas já estou seguindo o seu.. beijão e se eu puder é claro fazer uma sugestão de post, gostaria de pedir para postar almo a mais com coturnos :)... big bejoo

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Vou adorar saber sua opinião!