#Eueacomida: Bad Body Day - O dia ruim do corpo.

Há tempos venho ensaiando o desejo de voltar a escrever na TAG #eueacomida novamente. Nessa Tag sempre venho contar situações da minha vida que tiveram alguma relação com a comida, e as consequências que isso me traz. Na internet existe uma expressão que diz "bad hair day", que é aquele dia que o seu cabelo está rebelde e nada consegue contê-lo. Entre muitas histórias que ainda tenho pra contar sobre minha vida com a comida, escolhi falar hoje sobre o meu Bad Body Day... sabe aquele dia que não tem jeito, eu não estou bonita, não importa o que eu faça? Pois é. Na minha vida isso é muito frequente e eu conto melhor sobre isso agora.


Estamos falando de compulsão alimentar, de uma pessoa que aprendeu a buscar satisfação pessoal e realização através da comida. Estamos falando também de uma pessoa que era reprimida por comer compulsivamente, policiada e que escutou a vida inteira dizerem "Para de comer desse jeito, isso é feio".
Feio o que? 
Eu comer? Eu comer muito? Eu? Os outros me verem comendo? Feio pra quem? Eu não sei e não sabia o que queriam me dizer com aquilo.
Mas isso, eu entendo, era o recurso que minha família tinha para tentar me ajudar. Faz parte da inabilidade do adulto de lidar com a alimentação e a compulsão alimentar infantil. Ninguém os ensinou o modo correto de agir... na verdade ninguém os avisou que isso poderia acontecer. É tão estranho para eles, quanto para mim. 
Acontece que aquela forma de reprimir dizendo "Isso é feio" martela na minha cabeça até hoje. Eu ainda acho que comer muito é feio, que comer na frente dos outros é feio, que eu sou feia quando como.
É tão difícil viver com um pensamento que diz "Estou morrendo de fome ou morrendo de vontade de comer esse chocolate" e um pensamento que diz "Que feio, você quer comer um chocolate", juntos, o tempo todo.
E, como eu disse ali em cima, estamos falando de compulsão alimentar. 
Eu como o chocolate, como com gosto, satisfação, prazer. Como também o sorvete, como o pacote de salgadinho, como as frutas... e, é claro, como escondida por que se me virem comendo vão descobrir o quanto feio foi aquilo que eu fiz. 
Pra que decepcionar tanta gente?
Mas aí eu tenho espelhos na minha casa, muitos espelhos. E em cada espelho que eu passo, parece que vejo minha barriga maior, minha papada maior, meus braços maiores. Me vejo enorme. Me entristeço por ter tido uma atitude feia. Me chateio por que fui eu que fiz aquilo a mim mesma. Eu fico mau humorada me punindo e punindo quem estiver por perto por um deslize que cometi. 
Minha barriga continua crescendo, minha papada está ainda maior, meus braços mal cabem na minha roupa. Além disso, meu cabelo já começa a ficar feio, minhas pernas estão com ainda mais celulites, minhas sobrancelhas estão feias. Nossa, que monstra que eu estou. E meu dia acaba aí. 
Para não ficar me atormentando evito espelhos e, para resolver o problema, fico sem jantar, mal todo café da manhã no dia seguinte, almoço meio tomate picado, passo o dia sem comer... repito isso por dois dias. Me olho no espelho. Estou com o corpo da Gisele.
E é aqui que mora o problema real, porque é aqui que eu estou a um passinho para um transtorno alimentar gravíssimo.
Não, eu não estou criando uma história. Essa sou eu. Eu que me vejo e me acho linda, eu que como, eu que passo a me ver como um monstro.
Passo o tempo todo num movimento de vai e vem de bonita-feia-bonita-feia-bonita-feia...
As vezes acontece de nesse dia ruim aparecer alguém e dizer "Seu rosto é tão lindo, porque você não emagrece", "Se você fosse magra, você poderia ser modelo", "Emagrece, senão você não vai arrumar um namorado", "Desse jeito ninguém vai se interessar por você". 
As pessoas não imaginam o quanto esses comentários são arrasadores. As pessoas esquecem que, muitas vezes, a gente, que vive a situação, já está em guerra por dentro. 
E aí eu volto para o que eu sempre digo nessas nossas conversas. Os pais precisam saber lidar com a alimentação infantil, e precisam ser ensinados a lidar com isso. Uma frase pode deixar marcas pra uma vida inteira.
Depois de muitos tratamentos alimentares, aprendi a lidar com isso. Aprendo, todos os dias, a lidar comigo... Mas as vezes ainda cometo DESLIZES e cometo a FEIA atitude de COMER.
Nesses dias eu respiro fundo e sei que aquilo logo logo vai passar. 
Quem dera se esse dia ruim passasse para todas as pessoas. Algumas tomam aquilo para a vida. Evitam de sair de casa, passam a entrar em ordem de restrição alimentar, malhar compulsivamente, comprar compulsivamente, fazer tratamentos estéticos compulsivamente... em uma busca incessante de um GOOD BODY DAY, o dia bom do corpo.
Hoje o que eu entendo de mim é o que eu realmente sou. Eu sou linda e tenho, sim, um corpo PERFEITO, que me permite viver a vida que eu sempre quis viver. Os dias ruins acontecem, mas eu vou encontrando formas de superá-los. 
Vida que segue.

Isso acontece com você? 

9 comentários:

  1. tbm tenho muita dificuldade em realizar certas dietas. A comida para mim além de forma de alimentação representa um papel social. Pois é quando reunimos a família e os amigos. A comida sempre está envolvida nestes momentos... e o chocolate? sim é compulsão para mim. Há dias que só um chocolatinho rrsrsrs bjus
    amorenagatinhamake.blogspot.com

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    1. Oii linda!
      obrigada por comentar e deixar um pouquinho da sua história aqui.
      Volte seeeeeeeempre ao linda gg, vc é muito bem-vinda!
      Beijos

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  2. Tenho dificuldades pra resistir a um docinho! Mas melhorei muito quando assumi que eu não resistia, incrível, né?! Mas é verdade. Eu comia o doce, aí ficava triste porque me sentia fraca em não resistir, e acabava comendo mais! Hoje eu falo que como mesmo, que amo, e acabo não repetindo ou até mesmo comendo o dito cujo! Sei lá, acho que não sinto mais tanta culpa! Claro que como doces, mas não com a mesma frequência! Porque sei que posso comer a hora que eu quiser!
    Gostei da TAG!
    Bjoks!
    Blog: Vida Doida... E Cheia de Curvas!

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    1. Meeeel, obrigada por ter vindo comentar e conversar um pouquinho.
      Isso acontece na nossa vida, né? E as vezes aquele ditado "aceita que doi menos" faz valer uma verdade. Admitir uma coisa pra nós mesmas pode ser uma ótima chance para a mudança.
      Obrigada por estar aqui!
      Beijos

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  3. Putz, acho que eu fui totalmente descrita nesse texto. Até hoje minha mãe fala pra mim não comer tanto e blá-blá-blá. Tive muito medo de nunca encontrar um namorado e tals, mas sou tão cortejada todos os dias. Acontece, que a gente tem a mania de esperar ser aceito pelos outros pra depois se aceitar. E aí eu aprendi que se eu viver de mal comigo mesmo ninguém vai sequer querer olhar pra minha cara. Hoje eu tenho umas crises existenciais de vez em sempre, mas entendi que a única pessoa que pode me amar incondicionalmente do jeito que eu sou por dentro e por fora sou eu mesma, por isso sou grata pelo corpo e manias que tenho. Ótimo texto Amanda!

    Beijos, Sel | Quinta Gaveta ♥

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    1. Aiiiiiii lindeza, obrigada por deixar um pouquinho da sua história aqui também!
      Que delícia poder compartilhar momentos e saber que existem pessoas com a mesma história que eu.
      Amor próprio é o principal ingrediente da nossa receita!
      Obrigada pela visita e volte sempre!
      Um beijão!!!

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  4. Aaaai que saudades dessa tag, e há dias tô pensando que ela me esperava para ler. É, os pais falharam, não os culpo, mas falharam... Sabe, desde novembro do ano passado resolvi mudar, como li em um texto seu agora pouco, mudei por mim, porque eu quis, e porque desde que resolvi mudar eu me sinto melhor, não estou como eu quero, mas cada dia procurando o melhor em mim. Emagreci 15 kilos, continuo fazendo academia... tem dias que me acho linda, qualquer roupa cai bem, e tem outrosque são Bad body day, nada fica legal, eu desconto na comida, e claro, depois me sinto mal.
    Gosto muito dessa reflexão em conjunto!
    Beijooos

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  5. Mas eu esqueci de dizer, que eu me sinto muito feliz também, que esse blog me ajudou e ajuda muuuito a me aceitar, e que se eu mudo é porque eu me amo, essa mudança é muito mais que externa, ela é interna. bjbj

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    1. Esse processo de mudança é tão bom né? A gente descobre quem a gente é por dentro... isso é tão importante. Parabéns pela conquista de cada quilo eliminado e se isso te faz bem, que venham mais 15.
      A gente não consegue fugir dos dias ruins, mas o importante é saber lidar com eles né?!
      Obrigada pelo carinho de sempre, pela companhia e por todo amor que você deposita aqui!

      Beijos, amore

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